quarta-feira, 4 de maio de 2011

TEMPORAL IX BARRAGEM DE TAPACURÁ SANGRA APÓS TRÊS ANOS



A barragem de Tapacurá, que abastece a Zona Norte do Grande Recife, superou a sua capacidade de armazenamento d’água (94 milhões de m³) e começou a verter (sangrar). Segundo a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), o reservatório acumulava ontem 98.238 milhões de m³ (104.29% de sua capacidade). Apesar disso, o presidente da companhia, Gustavo Sampaio, reafirmou que o fato não oferece qualquer risco para a Região Metropolitana do Recife(RMR). Nos últimos dez anos, o manancial sangrou apenas três vezes: 1989, 1995 e 1997.
Sampaio ressaltou que os alagamentos verificados no Grande Recife têm ocorrido em função das fortes precipitações e dos problemas de drenagem, associados a ocorrência da maré alta. A água que sai de Tapacurá, garantiu ele, não provocará enchentes na RMR. Gustavo Sampaio classificou como “irresponsável” a divulgação de boatos sobre a segurança da barragem.
“É absolutamente inconcebível a comparação com as enchentes de 25 anos atrás. A situação hoje é completamente diferente”, comentou. Ele explicou que, depois das cheias dos anos 70, o Governo Federal resolveu construir uma série de barragens de contenção para evitar que as águas captadas na bacia do rio Capibaribe e seus afluentes descessem diretamente para a região metropolitana.
A cadeia de reservatórios de contenção é formada pelas barragens de Carpina, com 274 milhões de m³, Goitá (52 milhões de m³), Várzea do Una (12 milhões de m³), Poço Fundo (28 milhões de m³) e Jucazinho (327 milhões de m³). Junto com Tapacurá (94 milhões de m³), essas barragens têm capacidade para “segurar” até 787 milhões de metros cúbicos de água. “Em 1975, só existia Tapacurá. Hoje temos uma capacidade de conter quase dez vezes maior que naquela época”, garantiu.
Sobre a segurança do paredão da maior barragem da RMR, o presidente da Compesa disse que não há com o que se preocupar. De acordo com ele, a obra foi projetada para receber um volume de água superior aos 94 milhões de m³ que acumula hoje. Além disso, a companhia realiza manutenções periódicas no local. “Houve uma grande reforma, em 87, e, no segundo semestre do ano passado, aproveitamos o período de seca para melhorar a impermeabilização do paredão de concreto”, afirmou.
LIMITE DE SEGURANÇA – Quem também assegura não haver problemas porque Tapacurá está “sangrando” é o diretor geral do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) engenheiro Gaspar Uchôa. Ele disse que a cota atual da barragem é de 102 metros, mas o limite máximo de segurança garante a integridade do paredão até os 108 metros.
“E mesmo que a água chegue ao limite máximo, a Compesa tem como liberar parte dela em uma velocidade bem maior que o volume que possa chegar com as chuvas. Tudo isto está previsto e pode ser feito sem qualquer prejuízo para a população”, disse o especialista.
Na opinião do diretor do Dnocs, o risco de enchente provocada pelas águas do Rio Capibaribe no Grande Recife é zero. Ele lembrou que as barragens de contenção da Bacia do Rio Capibaribe que encontran-se antes de Tapacurá estão com menos de 50% da capacidade total.
Jucazinho, localizada em Surubim, está com pouco mais de 126 milhões de m³, ou cerca de 40% dos 327 milhões de m³ que pode acumular. A Barragem de Carpina - com capacidade para 270 milhões de m³ - conta com apenas 42,7 milhões (15,83%) e Goitá - capacidade para 35 milhões de m³ - registrava, ontem, 12,7 milhões de m³ (36%).

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